Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Canela


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Sindicato - História
História do Sindicato dos Metalúrgicos de Canela e Região
Localizada na serra gaúcha, Canela teve sua formação enquanto povoado no início do século XX. "Em 1938 houve no estados a divisão administrativa e judiciária estabelecida pelo Decreto nº 7.199, de 31 de março do referido ano. Neste Decreto Canela foi elevada à categoria de Vila, titulação significativa para uma futura emancipação política, o que só ocorreu em 28 de dezembro de 1944, através do Decreto-lei nº 717."(Antônio O. dos reis, Marcelo Veck e Pedro de Oliveira, 2000, pág. 22) A história começa a ter alguns contornos diferenciados quando da tentativa de criação de entidades que de certa maneira representavam a sociedade civil, associações, clubes. Este passo teve início em dois pontos distintos, um pela atuação de indivíduos e do modelo de Estado que temos a partir de 1930 e que em Canela, ao nosso ver, foi fundamental para formatar a postura da sociedade canelense. A atuação de alguns indivíduos em Canela começa, não só pelos que já moravam a partir dos anos 40, mas, a chegada de outros, entre eles Francisco de Albuquerque Montenegro, natural da Paraíba, dedicou-se a carreira militar, formado em odontologia em 1926; em Canela em 1943 e se envolve na campanha emancipacionista ocorrida em 1944, porém, seu maior passo foi no sentido de, após a emancipação, se engajar na luta pelo trabalhismo, tanto é que em 1º de maio de 1946 é um dos fundadores do Partido Trabalhista Brasileiro em Canela e daí por diante passa atuar no sentido de obter dividendos eleitorais para o partido. Como um articulador deu uma contribuição fundamental para inserir o trabalhismo nos movimentos sociais, principalmente os sindicatos na região, entre eles o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Canela, objeto de nossa pesquisa. Neste momento, para se obter a Carta Sindical do Ministério do Trabalho e atuar como representante dos trabalhadores perante o Estado e a sociedade, precisa-se avançar em algumas formalidades. Já que existia a Associação Profissional dos trabalhadores em Oficinas mecânicas, criada em 20 de agosto de 1957 , tendo como presidente o Sr. José Mário Diniz Gonsalvez e secretário Francisco de Albuquerque Montenegro. A partir deste momento, a Associação começa a exercer uma assistência dentária aos sócios e no decorrer do ano de 1958 começa a se ter déficit para seu funcionamento e o desejo de se conseguir recursos do Poder Público para funcionar, o que acontece em 1º de agosto de 1958 , quando o governo do estado concede auxílio de CR$ 5.000,00 da época. No ano seguinte, o mesmo volta a acontecer, já tendo Francisco de Albuquerque Montenegro como presidente, porém, a correspondência é para o então governador Leonel de Moura Brizola . Parte do déficit referido deve-se, neste período, à assistência odontológica que era exercida pelo próprio Francisco de Albuquerque Montenegro . Percebe-se neste momento duas relações de clientelismo: a primeira do dirigente para com a Associação e a outra em relação ao Estado, esta bem mais prejudicial no que se refere a autonomia da Entidade Associativa. A assembléia que mudou de diretoria, em 1960, colocando o Sr. João Antônio Inácio da Silva Filho de presidente , foi o marco que definitivamente começou a campanha para Investidura para a tornar associação em Sindicato, todos os trâmites legais foram tomados: Correspondências ao Ministério do Trabalho , cópia de registro de sócio , editais no jornal "Sentinela" , de propriedade do Sr. Francisco de Albuquerque Montenegro, jornal este, que vai ter um papel importante em anular aquilo que poderia ser uma possibilidade de outra concepção ideológica a atuar nos movimentos sociais, a esquerda. Depois de se fazer uma forte campanha no sentido de sensibilizar as entidades sindicais e o Ministério do Trabalho e, finalmente, em 29 de agosto de 1962 é concedida a Carta Sindical . A nova diretoria do agora Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de material Elétrico de Canela foi empossada em 06 de outubro de 1963 , que a partir daquele momento teria o Sr. Theodoro Carlos Schmitt como presidente e que no ano seguinte seria o Sr. Leopoldo Walter Feldmann em carta enviada ao Delegado Regional do Trabalho e Previdência Social . A possibilidade da construção de uma sede para a entidade também é ventilada em assembléia com a presença do vereador Sr. Ernesto Comelatte, que o próprio entrou com o projeto na Câmara de Vereadores de Canela para que a Prefeitura doasse um terreno , novamente existe aí sinais de clientelismo. Neste momento, o Brasil está vivendo um momento conturbado com a Ditadura Militar e a fiscalização do Estado sobre a sociedade civil se torna mais intensa não sendo diferente no Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Canela, isto se torna visível na Ata de Apuração das Eleições no Sindicato em 26/10/1965 , contando com a presença do representante do Ministério do Trabalho. As assembléias que se seguiram não apresentaram grandes alterações no que diz respeito às posições políticas dos diretores, limitando-se apenas a debates referentes a discussão dos acordos coletivos, orçamentos e finanças, além de estar sobre vigilância, toda a documentação contábil tinha que chegar ao Ministério do Trabalho independentemente de estar em acordo com a legislação . Se por um lado havia o controle oficial sobre a entidade, ao mesmo tempo a propaganda contra os movimentos de esquerda, capitaneado pela propaganda anti-comunista, ganhava dimensão, principalmente em Canela, onde o semanário "Sentinela" desempenhava um papel importante, como observamos nessa reportagem de 1954: " 'O comunismo educa para o ódio' Crianças da China vermelha sempre tomam parte em julgamentos públicos sob a orientação de seus mestres comunistas. Muitas se acusam de faltas cometidas contra o Estado, outras, acusam seus países de faltas, muitas vezes implicando aos países em crimes que podem ser punidos coma morte. Esses espetáculos na China comunista seguem o velho padrão estabelecido pela União Soviética: a destruição da lealdade à família, substituindo-a pelo endeusamento do estado todo poderoso." (Usis, J. Sentinela, 17.10.1954, p. 1) Aparentemente parece ser um paradoxo. Como alguém que, ligado ao trabalhismo, que faz parte da diretoria de uma entidade que representa os trabalhadores, classe esta que por sua condição busca uma relação mais igualitária, reproduzir a estratégia de setores mais conservadores da direita brasileira e mundial? Não podemos deixar de salientar que antes deste período histórico que determinou a ingerência do Estado nestas relações, o movimento sindical era disputado pelo PCB e por setores anarquistas e socialistas. Poderíamos entender o movimento feito pelos representantes do trabalhismo e do sindicalismo no Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Canela em dois sentidos: o primeiro, na tentativa de denegrir uma concepção ideológica, sem que houvesse a possibilidade de um questionamento profundo acerca do tema, não deixando que a classe trabalhadora se identificasse com a esquerda; a segunda, teve, sem dúvida nenhuma, através da legislação Varguista, um papel fundamental para fazer com que os trabalhadores dos diversos segmentos tivessem algumas atitudes que poderiam mudar as relações sociais, políticas e econômicas em Canela e na região, pois, além de tirar a espontaneidade da ação sindical, atrelou as direções dos sindicatos à uma burocracia e a um financiamento obrigatório, pelo imposto sindical, como maneira de dizer que a luta por condições de salário e de melhorias na qualidade de vida têm preço, sem contar que este trouxe de certa forma um "emprego", o de dirigente sindical. Estes pontos nos trazem a uma reflexão no sentido de que os trabalhadores passaram a se distanciar da entidade sindical, tendo nela uma visão de repartição pública, distante do seu cotidiano e não mais como instrumento reivindicatório, de instância de busca de igualdade e onde se possa adquirir consciência de classe. A possibilidade de Canela vir a ser uma cidade não tão conservadora, no seu aspecto político e partidário se tornou concreta a partir deste momento, pois temos que considerar que Canela possui um senso de participação popular, se levarmos em conta que o Município passou a ter um número considerável de associações de moradores e Sindicato com sede em Canela, quase todos estes movimentos, o trabalhismo foi pioneiro, tanto na criação quanto na disputa interna que se estabelecia e, isto vai refletir nas eleições em todos os níveis, pois o cidadão canelense quase sempre optou pelas candidaturas que de certa forma possuíram um caráter popular e democrático.Obviamente, caberia um estudo mais aprofundado acerca dos possíveis avanços que os trabalhadores tiveram a partir da constituição legal de uma Entidade que fizesse uma mínima defesa de seus interesses, que se tornasse referência para os trabalhadores da região.
Na presidência do Sindicato neste período de sua existência foram se revezando diversos dirigentes na seguinte composição 18:


Associação Profissional em Oficina Mecânica de Canela


1957 / 1958 - José Mário Dinis Gonsalves
191959 - Francisco de Albuquerque Montenegro Filho
1960 / 1961 - João Antônio Inácio da Silva Filho

Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Canela

06/10/1963 a 12/1963 - Theodoro Carlos Schmitt
01/1963 / 1969 - Leopoldo Walter Feldmann
1969 / 1972 - Aniro Marques Ferreira
1973 / 1975 - Ervino Kunz
1976 / 1978 - Ervino Kunz
1979 / 1981 - Ervino Kunz
1982 / 1984 - Ervino Kunz
1985 / 1987 - Ervino Kunz
1988 / 1990 - Ervino Kunz
1991 / 1993 - Ervino Kunz
1994 / 1997 - Paulo Leandro de Abreu
1997 / 2000 - Paulo Leandro de Abreu
2001 / 2004 - Eneu Renato dos Santos
2005 / 2005 - Flávio Port
2005 / ... - Francisco Pedroso Laurindo

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